Eis o poder: seus palácios
hospedam reis e vassalos,
messalinas, pajens glabros,
eunucos, aias, lacaios,
e até artistas e ratos.
Uma só migalha basta
à sordícia que se alastra,
e pronto surge uma talha
onde o cenário é lavado
para o próximo espetáculo.
O poder é assim: devasta,
corrompe, avilta, enxovalha,
do reles pároco ao papa,
e não há um só que escape
ao seu melífluo contágio.
Se alguém o nega ou o afasta,
compram-no logo, à socapa,
a peso de ouro ou de prata.
E se acaso não o fazem,
mais simples ainda: matam-no.
Tem o poder muitas faces :
a que se crispa, indignada,
a que te olha de soslaio,
a que purga e chega às lágrimas,
a que se oculta, enigmática.
Mas são apenas disfarce,
formas várias que se esgarçam,
por entre véus e grinaldas,
porque assim vertem mais fácil
o vitríolo em tua taça.
E tu, rei de Tule, aos lábios
leva sempre, ávido, o cálice,
não por amor nem saudade
de quem se foi, entre as vagas,
de um castelo à orla do mar,
mas só porque, embriagado,
são de engodo as tuas asas
e de cobiça os teus passos,
que vão aquém das sandálias
e se arrastam rumo ao nada.
O poder é aquele pássaro
que te aguarda sob os galhos.
Tudo ele dá, perdulário,
De ti quer apenas a alma,
Por inteiro. Ou a retalho.
Ivan Junqueira
domingo, 12 de agosto de 2012
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
Ave Urânia
"...Ao pisar no solo, toda terra floresceu a seus pés. Ladeavam-na Eros e Hímeros, os gênios do desejo amoroso, que a conduziram à assembléia dos deuses. assim que o mar lhe deu nascimento: o úmido Zéfiro a impeliu, com a suave espuma das ondas, rumo a Chipre.A mesma majestade com que ela enche toda a natureza fez do mar o local de sua aparição. Seu advento aplaina as ondas e faz a superfície das águas fulgir como uma jóia. Ela é o divino encanto do mar calmo e da feliz travessia, assim como é o encanto da natureza florescente
Ela é denominada “deusa do mar sereno”, e faz com que os navios cheguem em boa hora ao porto; foi chamada de Eúploia, “que assegura a navegação propícia”, Akraía, “deusa dos promontórios” (porque lhe dedicavam templos em locais que são bem visíveis do mar), Pontía, “equórea”, isto é, “marítima”, e Nauarkhís, “senhora das naus”.
Ela que é a mais bela de todas as mulheres.. É ela a Divina Afrodite!"
(trechos do sexto hino órfico à Afrodite)
(trechos do sexto hino órfico à Afrodite)
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